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Hinos do Brasil

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Maioria de adolescentes acompanhados na atenção básica se alimenta mal

Fonte /  Agência Brasil -

Dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional do Ministério da Saúde apontam que, em 2017, 55% dos adolescentes acompanhados pela atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS) consumiram produtos industrializados, como macarrão instantâneo, salgadinho de pacote ou biscoito salgado. Além disso, 42% deles ingeriram hambúrguer e embutidos e 43%, biscoitos recheados, doces ou guloseimas. Os números foram divulgados em razão do Dia Mundial da Alimentação, lembrado hoje (16) e, segundo a pasta, servem de alerta.
De acordo com o ministério, jovens que apresentam quadro de obesidade aos 19 anos, por exemplo, apresentam 89% de chance de serem obesos aos 35 anos – daí a importância, segundo o próprio governo, de se investir em uma alimentação saudável e adequada ainda na infância e na adolescência.
Os dados revelam que o Sul é a região do país com a maior quantidade de jovens consumindo hambúrguer e embutidos e também macarrão instantâneo, salgadinho de pacote e biscoito salgado, com 54% e 59%, respectivamente. Já o Norte aparece com o menor percentual nesses dois grupos, com 33% e 47%, respectivamente. Em relação aos biscoitos recheados e guloseimas, o Sul segue na frente (46%), empatado com o Nordeste (46%).
Na análise por sexo, os percentuais, segundo a pasta, mostram que o consumo de industrializados, fast food, alimentos doces recheados e guloseimas não se diferencia muito, sendo um pouco maior entre os meninos. O primeiro grupo de alimentos, por exemplo, é consumido por 58% deles, enquanto as meninas representam 54%. Já o segundo grupo é consumido por 41% dos jovens do sexo masculino e por 38% do sexo feminino, enquanto os recheados são preferência de 42% deles e 41% delas.
“Os maus hábitos à mesa têm refletido na saúde e no excesso de peso dos adolescentes”, destacou o ministério, ao citar números da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar que mostram que 7,8% dos adolescentes nas escolas com idade entre 13 e 17 anos estão obesos. O problema é maior entre os meninos (8,3%) do que entre as meninas (7,3%). Os dados também apontam que 8,2% dos adolescentes com idade entre 10 e 19 anos atendidos na atenção básica em 2017 são obesos.

Adultos

Já os brasileiros adultos, segundo a pasta, demonstram hábitos alimentares mais saudáveis, conforme apontado pela Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2017. Os dados mostram que o consumo regular de frutas e hortaliças nesse grupo cresceu 4,8% (de 2008 a 2017) enquanto o consumo de refrigerantes e bebidas açucaradas caiu 52,8% (de 2007 a 2017).
O estudo também aponta que a ingestão regular – cinco ou mais dias na semana – de frutas e hortaliças aumentou em ambos os sexos enquanto o consumo recomendado – cinco ou mais porções por dia em cinco ou mais dias da semana – aumentou mais de 20% entre adultos de 18 a 24 anos e de 35 a 44 anos. Os dados revelam, entretanto, uma diminuição da ingestão de ingredientes considerados básicos e tradicionais na mesa do brasileiro. O consumo regular de feijão, por exemplo, caiu de 67,6% em 2011 para 59,5% em 2017. 

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Preparação para Exposição / 2018 - ANGELINA A MENINA QUE NÃO QUERIA FICAR VELHA

Alunos da Escola Vinde Meninos com Classe nas Artes se preparando para a Exposição / 2018 - ANGELINA A MENINA QUE NÃO QUERIA FICAR VELHA - Em outubro ou novembro (aguardem) a confirmação da data certa. Veja algumas imagens enviadas pela aluna Vilma, abaixo:


quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Grêmio estudantil: o que é e como montar o seu

  • Olá, leitor!
  • Se você já fez parte do Grêmio Estudantil, deve se lembrar de como foi um período importante, em meio a diversas atividades. Agora se você não fez parte e deseja saber como funciona, continue lendo o texto.
  • O Grêmio Estudantil é um grupo de estudantes que representa a turma e a escola de forma livre e autônoma, defendendo ideias, crítica e sugestões destes estudantes.
  • Quem faz parte do Grêmio Estudantil deve promover o diálogo entre os estudantes, bem como aos professores, coordenadores e diretores.
  • Acabam atuando como porta voz da turma, tendo autonomia para elaborar propostas, organizar e sugerir atividades para a escola. Saiba mais!
  • Quem faz parte do Grêmio Estudantil?
  • Quem atuar no Grêmio Estudantil, além de representar os demais estudantes, se torna responsável por realizar atividades culturais e esportivas no ambiente escolar.
  • Este exercício dos estudantes perante a essa organização também consta em lei.
  • Lei Nº 7.398, sancionada em 4 de novembro de 1985 – durante a redemocratização do Brasil –, dispõe sobre a “organização de entidades representativas dos estudantes de 1º e 2º graus e dá outras providências”. É conhecida como a “Lei do Grêmio Livre”.
  • Há ainda outras leis que reforçam a presença do Grêmio Estudantil nas escolas, são elas:

  • Lei Nº 7.398, de novembro de 1985;
  • Lei Complementar Nº 444, de 27 de dezembro de 1985;
  • Lei Nº 8.069, de 13 de julho de 1990;
  • Lei Nº 7.844, de 13 de maio de 1992;
  • Lei Nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996;
  • Mesmo que sancionada, essa lei não obriga a existência do Grêmio Estudantil nas escolas, mas garante que a organizações dos alunos ocorra na forma livre.
  • Dessa forma, as escolas não são obrigadas a terem um Grêmio Estudantil, mas quem pretende ter precisa seguir algumas regras.
  • É intitulado segundo texto da lei que essas “entidades autônomas representativas dos interesses dos estudantes secundaristas sejam com finalidades educacionais, culturais, cívicas, esportivas e sociais”.
  • Mesmo depois de montado por um grupo de alunos em uma escola, é importante ficar claro que o estatuto do Grêmio Estudantil deverá ser aprovado em assembleia geral convocada pelo corpo discente da escola.
  • Além disso, os dirigentes e representantes devem ser escolhidos pelo voto direto e secreto.
  • COMO MONTAR UM GRÊMIO ESTUDANTIL?
  • Não existe uma legislação específica sobre como montar um Grêmio Estudantil, apesar da UEB Nacional, disponibilizar gratuitamente um arquivo sobre procedimentos que devem ser adotados. Clique aqui para baixar o arquivo.
  • Neste documento constam passos importantes, caso deseje montar um Grêmio Estudantil em sua escola. Mas basicamente você precisa saber que para concorrer no Grêmio Estudantil, é necessário estar matriculado na escola.
  • Vamos então para alguns passos importantes se você deseja, junto aos seus colegas, montar um Grêmio Estudantil. O primeiro passo após definição do grupo que quer concorrer é comunicar a direção da escola.
  • É necessário ter uma comissão pró-grêmio e uma assembleia geral. Após feita a comissão pró-grêmio, é realizado o segundo passo que é a composição da Diretoria do Grêmio Estudantil. Neste momento é feita a escolha da comissão eleitoral.
  • No terceiro passo se concretiza a formação das chapas, se mais grupos vão se formar ou não. As chapas aproveitam para apresentar as suas propostas à comunidade escolar.
  • No quarto passo a comissão eleitoral organiza a eleição, e por último é realizada a cerimônia de posse da chapa vencedora. Já para assumir, estes devem estar inscritos na chapa vencedora.
  • Em relação ao cargo, os membros da própria chapa deverão escolher qual posição terão de acordo com as áreas de interesse de cada um.
  • Dicas para montar um Grêmio Estudantil
  • Iremos apresentar agora algumas dicas que são importantes para quem for montar um Grêmio Estudantil:
  • Saber negociar com a direção da escola, mostrando sempre a importância e a necessidade daquilo que se pretende organizar;
  • Buscar o envolvimento dos professores nos projetos, pois eles podem contribuir de formas diversificadas e ricas nas ações do Grêmio;
  • Investir na comunicação do Grêmio: divulgar sempre e de diversas formas (por exemplo: por cartazes, rádio ou reuniões) as ações que o Grêmio realizou, está realizando e realizará;
  • Ouvir as sugestões que os alunos trazem. Afinal, não podemos esquecer que o Grêmio existe para representá-los. Mas vale a recomendação: quando uma sugestão não é viável, é muito importante comunicar aos alunos sobre a inviabilidade da ideia, afinal eles têm o direito de saber o porquê;
  • Fazer parcerias com instituições (sociais, esportivas etc.) e estabelecimentos comercias da região: envolvê-los em gincanas, campanhas, ações sociais,culturais e políticas da comunidade. Uma dica importante: não esqueça nunca de divulgar o nome dos parceiros que colaboram com o projeto, é uma medida justa e estratégica para futuros apoios;
  • Nunca esquecer: sem trabalho em equipe não existe Grêmio! E sem Grêmio os alunos não podem explorar todas as suas ideias para mudar a escola.

  • Atividades fora da sala de aula do Grêmio Estudantil

    Uma dúvida muito comum dos estudantes que desejam fazer parte do grêmio estudantil, é se eles podem sair da sala de aula quando houver necessidade.
    A própria escola orienta aos grêmios estudantis para que evitem marcar reuniões e atividades em horários de aula.  Todo o envolvimento dos alunos deve ser com motivação e iniciativa para buscar o melhor a escola.
    Assim, os outros estudantes também se sentirão. Então não pense em fazer parte do grêmio estudantil se o seu objetivo é ficar longe da sala de aula. Ao contrário, você terá mais cobrança e precisa mostrar bons exemplos para os colegas.
    Porém, toda e qualquer atividade tomada e aprovada pelo colegiado, independente do estímulo e conhecimento, deve ser repassado para os gestores das unidades escolares.
    Quanto mais envolvidos com as disciplinas, com os professores e com a escola em geral, mais o grêmio saberá o que propor e aprimorar.
    Agora em casos urgentes, com autorização do professor ou da direção da escola, é possível a saída de um membro. É válido lembrar que a diretoria da escola não pode impedir a criação de um grêmio, porque a legislação federal garante a sua existência, como já escrito anteriormente.

    Protagonismo juvenil

    Participar do Grêmio Estudantil pode trazer ao aluno uma boa experiência democrática e cidadã. Eles estarão representando turmas de todo o colégio, e os estudantes esperam que seus desejos, pedidos e sugestões sejam atendidos.
    Dessa forma, por meio do Grêmio Estudantil é uma das primeiras oportunidades que os jovens têm de participar da sociedade. Porém, exige muita responsabilidade.
    Os estudantes que participaram do Grêmio Estudantil podem atuar em diferentes formas de organização e dentro do ambiente escolar. Isso varia muito de cada escola.
    Vale acreditar que toda a experiência dentro do Grêmio Estudantil é válida e não é perda de tempo. Essa experiência de envolvimento com a gestão escolar e colegas, permite um movimento referente ao processo de formação e consolidação dos grêmios como parte de um importante processo pedagógico.

    Objetivos principais do Grêmio Estudantil

    • Que colabore na construção da comunidade escolar, como elo entre alunos, o corpo docente e técnico-administrativo;
    • Que, junto com a direção da unidade de ensino e professores, busque as mudanças necessárias para a educação;
    • Que apresente propostas e sugestões concretas para minimizar os problemas da escola e da comunidade na qual esteja inserido;
    • Que desenvolva o espírito de solidariedade e cooperação entre os estudantes e a escola;
    • Que promova atividades recreativas, culturais, desportivas, literárias e educacionais, estimulando a união de toda a classe estudantil;
    • Que crie mecanismos que possibilitem incentivar, desenvolver e estimular o estudante em sua vida educacional, social e profissional. Mas, sobretudo, que possa unir a classe, tornando-a mais participativa e consciente de seus direitos e deveres.

    O que fazer com verbas captadas no Grêmio estudantil?

    O Grêmio Estudantil pode captar verbas para ações que julga importante para a escola e não fora dela. Elas podem ser usadas em forma cultural, como montagens de peças de teatro, dança e exposições de desenhos, pintura e escultura, entre outros.
    Com relação aos esportes, como participação e organização em campeonatos de futebol, vôlei, basquete, handebol, participação em campeonatos interescolares.
    Também pode ser na questão política como em palestras, debates, manifestações, avaliação dos diretores, professores e alunos no processo de aprendizagem, garantir o voto dos estudantes no Conselho Escolar.
    Outra forma é utilizar as verbas na área da comunicação, como no rádio escolar, jornal dos alunos, participação na reunião de representantes de classe, participação no Conselho Escolar.
    O Grêmio Estudantil ainda pode se envolver em projetos sociais, como a campanha do agasalho, alimento, reciclagem de lixo, campanhas de prevenção (gravidez precoce, drogas etc.)
    Outra dúvida é sobre a época de eleição do Grêmio estudantil. Ela é feita em que época do ano? Indica-se realizar as eleições no começo do ano (entre março e abril). Isso acaba garantindo  uma maior participação dos alunos, pois quem está entrando no começo do ano pode participar e quem está no último ano também.
    Já está decidido se vai montar o seu Grêmio Estudantil? Lembre-se que ele tem função importante na escola e não serve apenas para você “pular” algumas disciplinas. O envolvimento é constante já que você representa uma turma, estudantes e escola!
    Referência: Protagonismo Juvenil

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Biografia de Tomás Antônio Gonzaga

Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) foi um poeta português. Seu livro "Marília de Dirceu" é uma obra poética em que relata seu amor por Maria Doroteia. Por seu envolvimento na Inconfidência Mineira, foi preso e deportado para a África.

Infância e Formação

Tomás Antônio Gonzaga nasceu em Porto, Portugal, no dia 11 de agosto de 1744. Seu pai era um magistrado brasileiro. Quando retornou ao Brasil, como Ouvidor de Pernambuco, Tomás estava com sete anos de idade. Iniciou seus estudos com os jesuítas na Bahia, até 1761. Com 17 anos foi estudar na Universidade de Coimbra. Já formado em Direito, redigiu uma tese para habilitar-se ao cargo de professor, hoje publicada como "Tratado de Direito Natural”.

Arcadismo

Em 1782, Tomás Antônio Gonzaga retorna ao Brasil, como Ouvidor de Vila Rica, Minas Gerais, o principal centro econômico do país, no século XVIII, em razão da descoberta de ouro e diamantes. Ao chegar a Vila Rica fez amizade com um grupo de poetas do Arcadismo brasileiro – um novo estilo poético que reage contra a linguagem rebuscada e as preocupações religiosas do Barroco, propondo uma linguagem mais simples da vida do campo e os prazeres do amor. Entre esses poetas destacavam-se Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto.

Tomás Antônio Gonzaga e Maria Doroteia

Ao chegar a Vila Rica, Tomás Antônio Gonzaga conhece Maria Doroteia Joaquina de Seixas, a quem chamou “Marília”, jovem mineira de 17 anos, por quem se apaixonou, ficou noivo e dedicou versos com o pseudônimo árcade de Dirceu – um costume dos poetas do arcadismo de adotarem pseudônimos gregos e latinos e se referirem a personagens da mitologia clássica (ninfas, deuses etc.).

Marília de Dirceu

Com o nome poético de “Dirceu”, Tomás Antônio Gonzaga escreveu poemas para sua amada Maria Doroteia, a quem chamou de “Marília”. Na primeira parte de seus poemas, "Marília de Dirceu", publicados ainda em Vila Rica, o poeta fala do amor, canta as delícias de uma vida simples em contato com a natureza, ao lado de seus amigos pastores e de sua pastora "Marília". Esse ideal estava bem de acordo com as convenções do Arcadismo e era, na verdade, o oposto da vida levada pelo poeta, sempre envolvido com livros e processos jurídicos:
Eu tenho um coração maior que o mundo!

Tu, formosa Marília, bem o sabes:
Um coração..., e basta,
Onde tu mesma cabes.

Na segunda parte, do livro "Marília de Dirceu", são encontradas as poesias que Gonzaga escreveu na cadeia, na Ilha das Cobras, quando estava preso por seu envolvimento na Inconfidência Mineira. Nesses textos, o tom é outro, com o poeta lamentando-se do destino, afirmando sua inocência e queixando-se da saudade de Marília e da liberdade:
Que diversas que são, Marília, as horas,

Que passo na masmorra imunda, e feia,
Dessas horas felizes, já passadas
Na tua pátria aldeia!

Prisão

Em 1786, Tomás Antônio Gonzaga foi nomeado Desembargador da relação da Bahia, mas adiou o quanto pode essa transferência, pois estava apaixonado e já havia marcado o casamento com Maria Doroteia, mas Gonzaga não chegou a casar, nem a assumir o cargo de desembargador, pois foi acusado de participar da Inconfidência Mineira, uma conspiração contra a coroa portuguesa, que tinham como objetivo libertar a colônia do domínio econômico português. A conspiração foi realizada por pessoas da elite econômica, onde se destacava a presença de padres e letrados.
Tomás Antônio Gonzaga foi preso e, levado para a Ilha das Cobras o Rio de Janeiro, onde ficou até 1792, quando foi extraditado para Moçambique, na África, onde pode refazer sua vida. Era juiz de alfândega, casou-se com a viúva Juliana Mascarenhas, sem esquecer talvez da doce Marília, que ele eternizou em suas Liras.

Cartas Chilenas

O poeta escreveu também "Cartas Chilenas", uma sátira manuscrita, em versos, que circulou anonimamente em Vila Rica. Através de estudos, confirmou-se que era de Gonzaga. Nele a figura do governador da capitania de Minas, Luís da Cunha Meneses, é ridicularizado, por suas arbitrariedades. O nome das pessoas e dos lugares são trocados. Minas Gerais é Chile, Vila Rica é Santiago, o autor é Critilo e o destinatário das cartas é Doroteu.  A obra só foi publicada em 1845.
Tomás Antônio Gonzaga morreu em Moçambique, África, no ano de 1810.

Alunos da rede pública receberão livros literários a partir de 2019

Estudantes da rede pública receberão livros de literatura em 2019, além do material didático, de acordo com o novo formato do Programa Nacional do Livro e do Material Didático Literário (PNLD). A escolha das obras pelas escolas credenciadas ainda não foi iniciada e deve ocorrer em outubro.
De acordo com o Ministério da Educação, a escolha será feita pelas escolas, a partir de uma lista, e levará em conta a opinião dos professores e diretores de escola. No catálogo para o ensino médio, estão livros como a biografia da paquistanesa Malala - a mais jovem a receber um Prêmio Nobel da Paz; o clássico de ficção Admirável Mundo Novo, de Aldous Juxley; e poemas de Cecília Meireles.
Até este ano, o programa destinava as obras literárias apenas para as bibliotecas e para serem usadas em salas de aula. A previsão é que os estudantes recebam os dois livros literários.
Para a assessora de projetos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda, é importante o aspecto individual da leitura, mas o papel didático da biblioteca não se deve ser esquecido. Ela defende que a escolha dos livros deve ser a mais democrática possível, envolvendo não só os professores, como prevê o programa, e que os alunos também sejam consultados.
“Sempre falamos da necessidade sobre o processo de gestão democrática dentro da escola. Então, a escolha dos livros didáticos também tem que passar por isso, existe todo um trabalho que é feito e pensado para que as escolas possam ter de fato gestão democrática”, disse. “Se os professores, os diretores, os coordenadores pedagógicos puderem discutir com os estudantes a escolha dos livros de literatura e também os livros didáticos, isso sempre é muito mais frutífero porque uma gestão democrática gera apropriação de cultura, então gera educação e aprendizado”, acrescentou.
Na avaliação de Cândido Grangeiro, sócio de uma pequena editora que teve livros escolhidos para o catálogo literário do programa, houve conquistas com o novo modelo. “Isso é uma conquista enorme [o livro ficar com o estudante] porque o aluno tem um acesso maior à literatura”, disse, ressaltando ser mais um incentivo para publicações no mercado editorial.
Os professores terão acesso a um guia com resenhas das obras selecionadas pelo programa e a escolha será feita após uma reunião de professores e diretoria da escola. Ainda de acordo com as regras, uma mesma editora não poderá ter dois livros escolhidos. As obras serão devolvidas às escolas depois do período de um ano para reutilização. Cada editora pode inscrever quatro obras para serem selecionadas para o catálogo.
O PNLD não permite que as editoras, com obras selecionadas para o catálogo, façam ações promocionais, distribuam brindes ou visitem as escolas. Grangeiro alerta para um disputa desigual entre as grandes e pequenas editoras. “Essas editoras [grandes] trazem toda uma tradição de chegada, um poder comercial mesmo, tem distribuidor, tem dinheiro, enfim, de chegar nas escolas e conseguir concentrar todas as adoções [de livros]. As editoras pequenas não dominam esse universo comercial, nem tem recursos financeiros para esses estudos. A disputa é extremamente desigual”, disse.
Sobre a questão, o MEC foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou até a publicação.
 *Colaborou Nelson Lin, da Rádio Nacional

sábado, 29 de setembro de 2018

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida

Olá, leitor!
Escrito no período do auge do romantismo brasileiro, o romance de Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um Sargento de Milícias, retrata a vida da sociedade carioca, ou seja, do Rio de janeiro do século XIX, entre os anos de 1852 e 1853, e desenvolve pela primeira vez na nossa literatura a figura do malandro, além de ser uma das principais obras a caracterizar de forma eficiente a vida da sociedade carioca da época de uma forma verdadeira e sincera.
A história de Leonardo e a sua transformação em um herói romântico, foi publicado inicialmente num folhetim semanalmente, sendo assim, o enredo dessa obra tinha que ser apresentado de uma forma mais rápida e para prender a atenção dos leitores, por isso, a narrativa consiste em capítulos curtos que relatam diversos fatos, sendo interligados em sua maioria, mas, em alguns casos, com passagens que destoam um pouco do enredo principal.
Um bom exemplo disso é que, em sua obra, o autor não apenas apresentou aspectos da burguesia carioca, como era de costume, mas, também, apresentou ao leitor a vida das pessoas de classe mais baixa do Rio de Janeiro do século XIX.
“Mas voltemos à esquina. Quem passasse por aí em qualquer dia útil dessa abençoada época veria sentado em assentos baixos, então usados, de couro, e que se denominavam-cadeiras de campanha-um grupo mais ou menos numeroso dessa nobre gente conversando pacificamente em tudo sobre que era lícito conversar: na vida dos fidalgos, nas notícias do Reino e nas astúcias policiais do Vidigal. Entre os termos que formavam essa equação meirinhal pregada na esquina havia uma quantidade constante, era o Leonardo-Pataca. Chamavam assim a uma rotunda e gordíssima personagem de cabelos brancos e carão avermelhado, que era o decano da corporação, o mais antigo dos meirinhos que viviam nesse tempo. A velhice tinha-o tornado moleirão e pachorrento; com sua vagareza atrasava o negócio das partes; não o procuravam; e por isso jamais saía da esquina; passava ali os dias sentado na sua cadeira, com as pernas estendidas e o queixo apoiado sobre uma grossa bengala, que depois dos cinqüenta era a sua infalível companhia. Do hábito que tinha de queixar-se a todo o instante de que só pagassem por sua citação a módica quantia de 320 réis, lhe viera o apelido que juntavam ao seu nome.”

Resumo da obra

Memorias_de_um_Sargento_de_Milicias
Filho de um beliscão e de uma pisadela “essa é uma referência ao modo como seus país se conheceram no navio que veio de Portugal ao Brasil trazendo-os”.
Leonardo é uma criança intratável, parece prever as dificuldades que irá enfrentar na vida. Ele é abandonado pela mãe, que foge do Brasil para Portugal com um capitão de navio, é abandonado também pelo pai.
Encontra em seu padrinho um protetor, ele é dono de uma barbearia e tem guardada uma boa quantia de dinheiro.
Enquanto Leonardo apronta todas na vizinhança, seu pai, Leonardo Pataca se envolve com uma mulher, cigana, mas o abandona rápido. Ele continua apaixonado e recorre a feitiçaria para trazê-la de volta, prática proibida na época.
Mas, no momento da feitiçaria o major Vidigal invadiu junto com seus homens a casa do feiticeiro, açoitam os praticantes e leva Leonardo Pataca para a prisão.
Pataca pede ajuda á Comadre, que por sua vez pede ajuda a um Tenente-Coronel, que tinha uma dívida com a família de Leonardo Pataca, e logo ele é solto.
O padrinho de Leonardo havia aprendido o ofício de barbeiro com o homem que o criou. Foi à áfrica como médico em um navio negreiro, no período de volta ao Brasil, o capitão em seu leito de morte confiou a ele um baú de dinheiro para que fosse entregue a sua filha, mas, ele ficou com o dinheiro.
Após o acontecido ele aparenta ter se tornado um homem de bem, cria Leonardo como se fosse seu próprio filho, sonhava torná-lo padre. Porém, o menino causa transtornos por onde passa, após levar uma enorme bronca do padre da cidade e ele jura vingança.
O padre tinha uma figura social de santo, mas a realidade era bem diferente, ele havia roubado a cigana de Leonardo Pataca. O padre passava uma grande parte do seu tempo com a cigana, então, o menino Leonardo resolve armar uma emboscada para desmascarar o padre.
Ele vai até a casa da cigana para informar a ela o horário de uma festa, mas ele mente o horário para que o padre chegue atrasado a tal festa. Quando chega a igreja Leonardo é repreendido pelo padre, que o pergunta qual o horário certo do sermão.
Leonardo responde que havia informado o horário correto e que a cigana, estava de prova, pois, havia ouvido tudo. Sem saber o que fazer perante o choque das pessoas, ele dispensa o menino.
Leonardo Pataca, por sua vez tenta reconquistar a cigana que havia perdido para o padre, mas ela não lhe dá chance de aproximação. Pataca, então, contrata um amigo para causar uma grande confusão em uma festa que a cigana iria promover em sua residência.
Em meio à confusão aparece Vidigal, que havia sido avisado por Pataca, a intenção era flagrar o padre e prendê-lo e deu certo, pois, o padre foi pego só de cueca, meia, sapato e com o gorro em sua cabeça. Com o acontecido, Pataca consegue ficar mais um tempo com a cigana.
O compadre começou a frequentar a casa de Dona Maria, uma mulher rica e que tinha gosto pelo Direito, sempre acompanhado pelo seu afilhado Leonardo.
Com o passar dos tempos o menino foi sossegando, então, chega a idade dos amores. Uma menina tida como feia, Luisinha, foi morar com sua tia, era filha do falecido irmão de Dona Maria.
No dia do espírito santo, era de costume que todos fossem ver a queima de fogos e assim, fora, a menina se divertiu muito, abraçou Leonardo e os dois voltaram para casa de mãos dadas. Porém, após o acontecido, Luisinha voltou a ficar tímida.
Certo dia entra em cena um homem mais velho, José Manuel, interessado em Luisinha por conta de sua herança deixada pelo pai e mais a que iria receber de Dona Maria, já que era sua única herdeira.
O Compadre logo percebe o interesse de José Manuel, se junta à Comadre para afastar o interesseiro. Leonardo por outro lado tenta conquistar Luisinha, mas ele acaba afastando a moça, mas é claro o fato que Luisinha o corresponde aos sentimentos, por conta de mentiras contadas pela comadre e que são descobertas rapidamente, Dona Maria, ao invés de expulsar José se afasta da comadre que agora está desacreditada.
Enquanto isso, Pataca é novamente traído pela cigana e se junta com a filha da comadre e juntos têm um filho. Pouco depois a Comadre morre, então, Leonardo decide ir morar com o pai.
Mas, ele e sua madrasta não conseguem se entender. Leonardo foge de casa. Afastado de todos que conhecia, ele conhece um grupo que estava fazendo piquenique e dentre eles reconhece um amigo de infância.
Leonardo passa a morar na rua da vala, onde vivem também duas quarentonas viúvas e seus seis filhos, uma delas tinha três moças e outra três rapazes.
Vidinha era sem dúvidas a mais bonita, tanto que era disputada por dois primos. Porém, vidinha acaba se interessando por Leonardo e acabam passando o dia dos namorados juntos em casa, isso desperta os ciúmes dos outros rapazes.
Eles então, decidem falar para Vidigal que Leonardo está morando como intruso na casa delas e ainda tirando proveito delas. Leonardo acaba preso, mas consegue fugir.
A Comadre arruma bom emprego para Leonardo, mas ele acaba se envolvendo com a esposa do patrão e logo é demitido. Vidinha vai à casa de Toma Largura, ex-patrão de Leonardo, para brigar com ele e com sua esposa.
Vidigal consegue prender Leonardo, Toma Largura fica encantado com Vidinha e começa a cortejá-la de todas as formas. A moça encara a ausência de Leonardo como consequência dos últimos acontecimentos, então, resolve ceder às investidas de Toma Largura.
Leonardo começa a servir ao exército, mas só porque foi obrigado pela polícia. Após um tempo ele é colocado por Vidigal no batalhão de granadeiros para combater os malandros do rio.
Porém, ao contrário do que pensavam, Leonardo continuava a aprontar das suas dentro do batalhão de polícia. Vidigal pretende prender um homem que faz imitações suas para animar festas, Leonardo acha isso muito engraçado e acaba se divertindo muito e avisa ao imitador sobre as intenções de Vidigal.
Quando o Major descobre que Leonardo o traiu, prende o rapaz sob juramento de muitas chibatadas.
A Comadre acaba sabendo do acontecido e vai pedir ajuda a Dona Maria e a antiga amante de Vidigal, Regalada. Elas vão a casa do major, que as recebe fardado apenas da cintura pra cima e vestido como civil da cintura pra baixo.
Vidigal não resiste ao pedido das mulheres e ainda promete promover ele a sargento do exército.
Enquanto isso, Luisinha estava casada com Manuel que a tratava muito mal, sua única preocupação era o dinheiro da moça. Dona Maria, por sua vez, prepara uma ação judicial contra ele, mas antes disso acontecer o homem acaba morrendo de um ataque apoplético, algo parecido com um derrame.
Após o enterro de José Manuel, preparam tudo para um novo casamento, Luisinha agora mulher feita e bonita irá se casar com o também bonito e muito elegante sargento do exército.
Algum tempo depois morre Dona Maria e Leonardo Pataca, portanto, eles recebem mais duas heranças que juntaram a que já tinham.
“O major Vidigal fora às nuvens com o caso: nunca um só garoto, a quem uma vez tivesse posto a mão, lhe havia podido escapar; e entretanto aquele lhe viera pôr sal na moleira; ofendê-lo em sua vaidade de bom comandante de polícia, e degradá-lo diante dos granadeiros. Quem pregava ao major Vidigal um logro, fosse qual fosse a sua natureza, ficava-lhe sob a proteção, e tinha-o consigo em todas as ocasiões. Se o Leonardo não tivesse fugido, e arranjasse depois a soltura por qualquer meio, o Vidigal era até capaz, por fim de contas, de ser seu amigo; mas tendo-o deixado mal, tinha-o por seu inimigo irreconciliável enquanto não lhe desse desforra completa.”

Estrutura da obra

A obra é estruturada em 120 páginas, com 48 capítulos curtos, que narram a história da personagem principal, Leonardo, desde a sua infância até a vida adulta, passando por diversos trechos da vida de uma pessoa: das meninices da infância às primeiras aventuras amorosas, do trabalho ao casamento, falando sobre a passagem do menino para o jovem e do jovem para o homem, entre outras coisas.
Integralmente, a obra foi lançada em 1954, num livro que reuniu todos os textos do autor.

Contexto histórico

A obra retrata o momento de pós-independência da nação brasileira, onde iniciou-se o processo de criação de uma identidade nacional, em diversos aspectos da arte, bem como, como se percebe neste livro, na literatura.

Tempo e espaço

O tempo da obra é datado pelo ano de 1810, período da chegada da corte portuguesa ao Brasil, sendo assim, os fatos narrados retratam bem a sociedade brasileira, principalmente a carioca, da época.
Em relação ao espaço da narrativa, pode-se destacar, com toda a certeza, a cidade do Rio de Janeiro, contudo, a história retrata o cenário urbano brasileiro desse período de uma forma mais abrangente.

Foco narrativo, narrador e linguagem

A narrativa é feita em terceira pessoa, ou seja, narrador heterodiegético, sendo o narrador um ser observador e onisciente que nos revela os acontecimentos.
Contudo, o grande destaque desse livro se dá na linguagem, apresentada de uma forma mais fluída e coloquial, devido ao tom jornalístico dessa obra. Sendo assim, tudo é contado de uma forma ágil e dinâmica, fazendo com que seja muito semelhante a uma crônica.
Há diálogo direto com o leitor em algumas passagens, bastante nuances de metalinguagem e muito humor, sempre colocando em destaque situações da vida cotidiana da sociedade da época.

Principais personagens da obra

Os principais personagens dessa obra, são:

Leonardo

É o protagonista e responsável pela narrativa. O sargento de milícias a qual se refere o título do livro. Contudo, esse personagem obtém esse título apenas nas últimas páginas da obra.
Representa a primeira figura típica da literatura conhecida como malandro, uma espécie de anti-herói que acaba, enfim, tornando-se um herói romântico de fato.

Leonardo Pataca

Um meirinho (oficial de justiça) pai de Leonardo, ele tinha sido vendedor de roupas em Lisboa e, que durante sua viagem ao Brasil conhece Maria das Hortaliças e isso resulta no nascimento de Leonardo.

Maria das Hortaliças

Uma camponesa, mãe de Leonardo, uma mulher muito namoradeira que abandona o filho para ficar com outro homem.

O padrinho ou compadre

É o dono de uma barbearia e toma a guarda de Leonardo após o menino ser abandonado pelos pais ainda criança. Torna-se então um pai para Leonardo.

A Madrinha ou comadre

É uma mulher gorda e apresentada como ingênua, uma frequentadora assídua das missas e festas religiosas.

Major Vidigal

É um homem não muito gordo, alto e com ares de moleirão. Mesmo com esse aspecto era quem impunha a lei de forma mais enérgica e respeitada na região.

Dona Maria

É uma senhora que não era bonita, mas tinha aspecto bem cuidado, uma mulher rica e devotada aos pobres, ela tinha vícios nas disputas judiciais.

Luisinha

É uma moça mostrada inicialmente como uma pessoa sem graça, sobrinha de dona Maria, mas torna-se uma mulher bonita e forte.

Relevância da obra

Memórias de um Sargento de Milícias destaca-se de outros livros da fase do romantismo do Brasil justamente por não se enquadrar nos estilos da maioria dos romances de época.
Essa obra pode ser enquadrada no gênero romântico, devido a diversos elementos presentes na narrativa que são comumente utilizados pelos romances românticos.
Contudo, o livro destaca-se pelo tom de comicidade e por travessuras que o autor faz com a sua obra, bem como com o personagem.
Isso faz com que a obra também possa ser caracterizada como um romance picaresco, que nada mais é que uma tradição antiga ligada a marginalidade onde os romances eram permeados por humor e a presença de um anti-herói engraçado e sem escrúpulos que fazia de tudo para tirar vantagens das situações.
Além disso, também se pode caracterizar esse livro como uma obra de crônicas de costumes, pois retrata fielmente a sociedade da época em seu cotidiano, bem como o tom jornalístico na composição da história.
Aspectos do pré-realismo também podem ser encontrados na obra, o que dificulta ainda mais o processo de classificação desse livro em determinado gênero literário, como também, em determinada corrente literária.
Por esses e outros motivos, Memórias de um Sargento de Milícias é uma obra única e singular na literatura brasileira.
“[…] A comadre, ao vê-lo assim, apesar da aflição em que se achava, mal pôde conter uma risada que lhe veio aos lábios. Os cumprimentos da recepção passaram sem novidade. Na atropelação em que entrara o major a comadre enxergou logo um bom agouro para o resultado do seu negócio. Acrescia ainda em seu favor que o major guardava na sua velhice doces recordações da mocidade, e apenas se via cercado por mulheres, se não era um lugar público e em circunstâncias em que a disciplina pudesse ficar lesada, tornava-se um babão, como só se poderia encontrar segundo no velho Leonardo. Se estas lhe davam então no fraco, se lhe faziam um elogio, se lhe faziam uma carícia por mais estupidamente fingida que fosse, arrancavam dele tudo quanto queriam; ele próprio espontaneamente se oferecia para o que podiam desejar, e ainda em cima ficava muito obrigado. Contudo, posto que a comadre soubesse já desta circunstância com antecipação, ou a pressentisse pelas aparências, a gravidade do negócio de que se tratava era tal, que nem isso bastou para tranquilizá-la. Dispôs-se para o ataque, ajudada por suas companheiras, que, apesar de mais estranhas à sorte do Leonardo, nem por isso se ligavam menos à sua causa. Houve um momento de perplexidade para decidir-se quem seria o orador da comissão. O major percebeu isto, e teve um lampejo de orgulho por ver assim três mulheres confundidas e atrapalhadas diante de sua alta pessoa; fez um movimento como para animá-las, arrastando sem querer os tamancos.”
 Até logo!

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Lendas do Folclore Brasileiro

As Lendas Folclóricas representam o conjunto de estórias e contos narrados pelo povo que são transmitidas de geração em geração por meio da oralidade. Conheça as principais lendas e personagens do folclore brasileiro:

sábado, 25 de agosto de 2018

O LIVREIRO / Monteiro Lobato

O LIVREIRO

     Entre os mais humildes comerciais está o livreiro. Embora sua mercadoria seja à base da civilização, pois que é nela que se fixa a experiência humana, o livro não interessa ao nosso estômago nem a nossa vaidade. Não é, portanto compulsoriamente adquirido. O pão diz ao homem, ou você me compras ou morre, o batom diz à mulher: ou me compras ou te acharão feia. E ambos são ouvidos. Mas se o livro alega que sem ele a ignorância se perpetua, os ignorantes dão de ombros porque é própria da ignorância o sentir-se feliz em si mesma como o porco em sua lama.
       O livreiro vende o artigo mais difícil de vender-se. Qualquer outro artigo lhe daria mais lucros ele o sabe e heroicamente permanece livreiro. E é graças a essa abnegação, que a árvore da cultura vai aos poucos aprofundando as suas raízes, e dilatando a sua fronde.
      Suprima-se o livreiro estará morto o livro e com a morte do livro retrocederemos à idade da pedra, transfeitos em papuias comedoras de bichos de pau podre.
     A civilização vê no livreiro o abnegado zelador das lâmpada em que arde, perpetua a trêmula chamazinha da cultura.

                                                                        Monteiro Lobato.